Como a startup que trocou Nova York por Porto Alegre e se tornou uma das mais promissoras do país

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19 November 2019

Conheça a Warren, criada em 2015 para atender pequenos investidores

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Pergunte a qualquer empreendedor qual é seu sonho de negócio, coloque entre as opções ter uma startup bem-sucedida em Nova York e nove entre 10 marcarão essa alternativa. Portanto, alguém que tome decisão contrária sugere ter uma ideia audaciosa. Considere que a improvável escolha seja de funcionário bem remunerado que deixou uma das maiores corretoras de investimento do Brasil para criar uma empresa própria. 

Agora, multiplique o perfil por três.

Foi apostando sucessivamente contra a banca que Rodrigo Grundig e os irmãos Tito e André Gusmão fundaram uma das startups mais promissoras do Rio Grande do Sul. Criada em 2015, a Warren foi projetada quando o trio trabalhava na metrópole norte-americana, mas nasceu oficialmente um ano depois, em Porto Alegre. 

— Tínhamos convicção de que o futuro do negócio estava no Brasil. O complicado foi convencer o Rodrigo de que o Guaíba era mais bacana do que o mar do Rio de Janeiro — brinca o gaúcho André, em referência ao sócio carioca.

Ex-funcionários da XP Investimentos, eles lançaram a Warren para oferecer a pequenos investidores aplicações financeiras tão rentáveis quanto as disponíveis para pessoas endinheiradas. Para isso, foi desenvolvida uma ferramenta que entrevista potenciais clientes pela internet e oferece aplicações. Como o processo é automatizado, a startup poderia oferecer boas aplicações a um custo mais baixo do que concorrentes. Além disso, decidiu-se que a taxa de gestão seria igual para todos os fundos (0,5% ao ano), independentemente do grau de risco. O objetivo era evitar que o usuário se sinta pressionado a aderir aos mais caros.

Apresentado em uma feira de tecnologia em Las Vegas em 2016, o projeto foi colocado ao lado de Uber e Lyft como um dos “top 10” entre 500 participantes. Mesmo assim, os sócios achavam que o futuro estava ao sul da Linha do Equador.

— Nos Estados Unidos, havia várias startups com esse tipo de serviço, mas no Brasil seria novidade. Era o lugar certo e a hora certa — diz André.

Ao lado de um novo sócio, Marcelo Maisonnave, cofundador da XP Investimentos e o maior entusiasta da mudança para o Brasil, os empreendedores estudaram onde instalar a empresa. Concluíram que Porto Alegre, em movimento acelerado de hubs e eventos de inovação e ampla formação de mão de obra, era o lugar certo.

E não há como condenar a decisão: a empresa, que só começou a vender seus serviços em 2017, após receber sinal verde da Comissão de Valores Mobiliados (CVM), já conta com 100 mil clientes e administra mais de R$ 400 milhões em investimentos. 

Em seu escritório no bairro Bom Fim, trabalham 140 desenvolvedores, atendentes certificados e especialistas em marketing – uma segunda unidade foi aberta em São Paulo com foco em clientes corporativos. A Warren foi indicada pela Distrito, empresa de inovação aberta de São Paulo, como uma das 10 principais startups gaúchas, em um universo de mais de 400 negócios. Neste ano, foi indicada pelo LinkedIn como a 11ª melhor startup para se trabalhar em todo país.

Investimento milionário

Ganhando manchetes, a empresa passou a angariar prestígio e a chamar atenção de grandes investidores. No início de 2019, a Warren recebeu da Ribbit (um dos maiores fundos mundiais para tecnologias financeiras) e da Kaszek Ventures (fundo dos criadores do Mercado Livre) investimento de R$ 25 milhões para fortalecer o marketing e aprimorar a plataforma – um caminhão de dinheiro considerando o universo das startups. A expectativa é de que o reforço ajude a acelerar a captação de clientes e multiplique o faturamento anual da plataforma, estimado em R$ 2 milhões para este ano.

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À frente da Kaszek, o argentino Nico Berman, reconhecido impulsionador de negócios digitais da América do Sul, foi um dos homens que assinaram o cheque. Ele esteve à frente do Mercado Livre desde o final dos anos 1990 até 2011, para então passar a investir em outras empresas. No Brasil, além da Warren, financia negócios como Nubank, Creditas e Contabilizei – todas fintechs (startups da área financeira).

— Nosso maior desafio é encontrar negócios digitais que tenham um projeto sólido e sócios experientes. E a Warren tinha isso — explica Berman.

Semanalmente, Nico toma um avião de Buenos Aires para acompanhar as decisões em sua miríade gaúcha. É sempre um dos primeiros a conhecer os planos de expansão e novos fundos em desenvolvimento. Um deles, em particular, foi lançado no final de outubro para fisgar jovens cada vez mais atentos à postura das empresas.

Nico Berman, argentino que trabalha como impulsionador de negócios digitais e se tornou parceiro da Warren
Nico Berman, argentino que trabalha como impulsionador de negócios digitais e se tornou parceiro da WarrenFélix Zucco / Agencia RBS

O Warren Green seleciona ações de companhias que cumpram uma lista de requisitos de responsabilidade social, ética e ambiental. Manter iniciativas de sustentabilidade e não estar envolvida em escândalos de corrupção são exigências. No dia do lançamento, o fundo já tinha 8 mil investidores em fila de espera, e arrecadou R$ 1 milhão em seis horas.

— A estratégia do produto é permitir que as pessoas invistam em companhias que têm os mesmos valores que elas, sem abrir mão de boa rentabilidade — explica Tito Gusmão.

Em busca de retorno

Ampliar a variedade de produtos é fundamental para que a Warren passe, efetivamente, a lucrar – por enquanto, funciona graças ao aporte de investidores. A trajetória em direção ao lucro é desapressada, um movimento típico das startups – mesmo gigantes como Uber e Spotify ainda amargam prejuízos em razão dos investimentos massivos para ampliar a base de usuários. 

No caso da Warren, a expectativa é de que os ganhos comecem de fato a aparecer ao final de 2020.

— Ainda estamos focados em melhorar a experiência dos usuários e diversificar os produtos. O lucro será consequência — prega André.

Uma das estratégias para atrair potenciais clientes são ações de educação financeira. Chamado Papo de Grana, o serviço de aconselhamento da Warren percorre empresas e abastece blog com dicas para organizar o orçamento e começar a investir. 

A atividade começou com palestras de Tito Gusmão, mas cresceu tanto que hoje ocupa um setor inteiro na sede da startup.

— Não temos compromisso de converter a plateia em clientes, mas é claro que a ação ajuda as pessoas a repensarem como cuidam de seu dinheiro e procurarem novas opções — diz o administrador de empresas Diego da Rocha, um dos educadores do Papo.

"Papo de Grana": Diego da Rocha está por trás do serviço de aconselhamento que ajuda a ampliar os clientes da startup
“Papo de Grana”: Diego da Rocha está por trás do serviço de aconselhamento que ajuda a ampliar os clientes da startupFélix Zucco / Agencia RBS

Os rumos da economia e o posicionamento da Warren têm tudo para impulsionar seu crescimento, avalia Gustavo Gierun, diretor da Distrito. Na opinião dele, o mérito da empresa está em abrir os olhos dos investidores para oportunidades fora de bancos e corretoras convencionais. Isso se encaixa com os rumos atuais da economia, com a população mais preocupada em fazer seu dinheiro crescer diante de um juro básico minguado.

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